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JULHO
2017

16:29
Educação, ora a educação!
Em: 11/07/2017 às 08:36h por Onofre Ribeiro

Li na semana passada entrevista do professor Fabrício Carvalho, publicado na mídia, que se resumiu no conceito "O Brasil só vai ser decente quando tiver educação". Tocou-me particularmente o tema porque veio de uma voz do silencioso campo educativo. Talvez pela sensibilidade que a música lhe dá, já que é o maestro da Orquestra Sinfônica da UFMT. Somado ao fato de que é o secretário de Articulação e Relações Institucionais da universidade, suas declarações tomam maior importância. O setor da educação padece de extrema aridez nos contextos educacionais brasileiros, neles incluindo as universidades federais, transformadas em pobres laboratórios de ideologias.

Os níveis internacionais que medem a educação brasileira são de chorar. Os níveis internos são na maioria manipulados por estatísticas de gabinete absolutamente inconfiáveis. Os níveis de inovação dizem a mesma coisa. Os níveis de percepção da realidade social, econômica e tecnológica passam longe dos prédios da educação pública brasileira. Curioso, é que cada vez mais é perceptível que o mundo se desconstrói e se reconstrói sob parâmetros de extrema modernidade.

Porém, questionar a educação no Brasil de agora, implica em olhar pra trás. É preciso olhar a cidadania e a ética coletivas, que foram desconstruídas ao longo dos últimos 55 anos. O modelo da educação brasileira era humanista, inspirado na França. Em 1962 uma lei de diretrizes e bases copiou o sistema norteamericano que privilegia as estatísticas e mata o humanismo substituído pelo pragmatismo anglo-saxônico. Ali morria o professor-educador e a sala de aula transformava-se num laboratório de estatísticas que mais tarde ganhou outras maldades como a "bondosa" lei da educação em ciclos do fim dos anos 1990.

A ideologia socialista entrou na sala de aula a partir dos anos 2000 e a educação perdeu o seu fundamento universalista e estreitou as percepções da ética e da cidadania. Temos, a rigor, uma educação sindicalizada, e um sistema que associa orçamentos escolares, não-cobrança de resultados e o laissez-faire, assim chamado pelos franceses de deixa estar pra ver como fica.

Imagino que o maestro Fabrício Carvalho e alguns dos seus pares na universidade sofram com esse cenário atual, ao enxergarem que o futuro não será um tempo pra amadores. Conceitos como inovação, inteligência artificial, tecnologias, big-data, computação na nuvem, redes sociais, disrupting, produção automatizada, compliance nas empresas privadas e públicas, significarão fases novas no mundo. Queiramos ou não.

Enfim...

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Onofre Ribeiro
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