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MAIO
2018

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América do Mundo
Em: 06/05/2018 às 08:31h por Onofre Ribeiro

Nesta semana que passou realizou-se na Federação das Indústrias de Mato Grosso o seminário de integração da América do Sul. Assunto que já foi muito intenso e nesses últimos 18 anos caiu no esquecimento. Trata-se de um enorme continente com duas colonizações não muito divergentes: espanhola a Oeste e portuguesa a Leste. Nas vizinhanças de Mato Grosso vivem cerca de 40 milhões de pessoas com algum tipo de identidade, mas nenhuma afinidade econômica, cultural , política ou integracionista.

Na década de 1980 o senador José Márcio de Lacerda e seu irmão deputado estadual José Lacerda, de Cáceres, trouxeram o assunto completamente desconhecido até então. Em 1992 o geólogo e professor Serafim Carvalho Melo, da UFMT, apoiado pelo Rotary Clube Internacional, organizou uma caravana de dois ônibus a aventurou-se a viajar pra Bolívia. Não se sabia se isso era possível! Redescobriu-se a América depois do fim do tratado de Tordesilhas, em 1750, que separava terras de Portugal e da Espanha na América do Sul. Era possível!

O discurso se fortaleceu mas foi morrendo aos poucos. Dante de Oliveira de 1995 a 2002 deu gás pro assunto que morreu de novo. Vez ou outra um suspiro e morre de novo. O seminário desta semana trouxe o tema à luz de outro tempo. Até 1990 havia a Guerra fria e qualquer assunto ligado a questões regionais na América da Sul ficava contaminado pela geopolítica mundial. Hoje o mundo mudou completamente e a abordagem tem que ser outra. Mudou o mundo e mudaram as razões para a integração.

A geopolítica mundial muda com a entrada da China nos mercados mundiais a partir de 2000. Já não é mais possível países pobres como os da América do Sul se colocarem sozinhos diante dos mercados mundiais. Falar em integração hoje implica em falar na formação de blocos de comércio e de integração sem os ranços antigos das colonizações espanhola e portuguesa

40 milhões de pessoas estão dentro do chamado Centro-Oeste sulamericano com potencial de relacionamento econômico entre si e, no nosso caso, com Mato Grosso. Na década de 1980 falava-se em integração pensando no escoamento da produção agricola de Mato Grosso para o Oceano Pacífico. Não é viável por conta da Cordilheira dos Andes. Fiz esse trajeto de ônibus numa caravana da Federação das Indústrias de Mato Grosso em 2000. De fato, é improvável carretas subirem e descerem os Andes.

Mas na modernidade, a ligação deve ser de complementação de mercados e o transporte deveria ser de produtos tecnológicos, têxteis e industrializados agrícolas nas duas direções. Vou voltar ao assunto amanhã. Hoje foi só um resgate histórico pro leitor saber do que falaremos em próximos artigos.

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Onofre Ribeiro
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